O escritor

15/04/2014 03:39

 

Todo escritor às vezes tem um texto pronto na cabeça, mas ao tentá-lo colocar em palavras se perde e isso fica pior com a vida pessoal interferindo. Essa é a história do Senhor Jones um escritor de trinta e oito  anos que sonhava em ter mais um sucesso, igual teve aos vinte e cinco anos ao escrever sobre uma viagem que ele fez para a África. O livro era um romance que todas as leitoras caíram  de amor, afinal o livro contava a história real de como conheceu sua esposa. A esposa dele era de uma tribo africana e mesmo sem falar a mesma língua foi amor a primeira vista, ele ajudou ela sair daquele lugar e foram morar na Inglaterra. Sua esposa já tinha aprendido a falar inglês mais ainda não se sentia a vontade na Inglaterra, era uma vida muito agitada. Então apaixonado Senhor Jones muda-se para Índia  em vilarejo calmo onde sua esposa se adaptou bem  e ele tinha um trabalho simples de operário (embora na Inglaterra fosse um promissor publicitário).

 

Dizem que o amor tem uma dose inicial que é difícil de manter, porém eu diria que tem relacionamentos que verdadeiramente nunca existiram. Atualmente chamada de Latisha, a ex- Senhora Jones estava mostrando quem realmente era pensando bem, na verdade tudo começou a acabar quando toda a publicidade do filme acabou. Isso mesmo após dois anos de sucesso nas livrarias o filme se transformou em filme o que durou mais dois anos de fama para ambas. Latisha já estava com Senhor Jones por seis anos, não tinham filhos, poucos amigos, ele acreditava em Deus e ela nunca dizia nada. Levava uma vida luxuosa para aquela comprada na tribo, mas não era um luxo comparado a vida na Inglaterra ou até mesmo na Índia.  Ele tinha aberto a mão de tudo para ser feliz ao lado dela, mas ela não era feliz de modo algum. Ela via o Senhor Jones como um passa-porte, mas não queria ficar ao lado dele, já tinha planejado tudo desde que o viu na tribo.

 

Com seis anos casado senhor Jones queria filhos, agora com dinheiro e certo conforto ele sentia confiado que era o momento certo para família crescer. O que ele não tinha percebido é que de fato nunca tinha dormido com sua esposa, ela tinha o convencido que era preciso tomar um chá antes de tudo, era tradição em sua tribo, ele não se opôs e de fato toda às vezes tomava o chá antes de dormir com sua amada. Quando ele acordava estava ela deitado ao seu lado sem roupa, o chá dava um apagão em sua memória e quando ele acordava sentia um cansaço que fazia acreditar que a noite tinha sido incrível. Sem mais sucesso significava que voltava a ser só um operário e que estaria em casa diariamente. Latisha não queria ter que ser dona de casa todos os dias, Latisha era feliz com a ausência dele durante as viagens.

 

 

Foi quando viu um caso na Televisão que mostrava uma esposa que tinha perdido o marido e no final da investigação mostrava que a esposa não era a vítima, mas sim a culpada. Encheu sua cabeça que tinha matar e fugir, ficaria enclausurada em algum centro religiosa com seu nome que usava na tribo. Esse nome não era registrado em canto algum logo, passaria despercebida, assim pensou.  Estranhamente começou a fazer o almoço e levar para o marido no trabalho, onde conheceu um suposto colega de trabalho dele. As escondidas ela o seduziu e o convenceu que apesar  da fama e tudo mais ela tinha sido seqüestrada e pintou um quadro de um homem perverso e frio. Nathan também era inglês e também achava-o frio e foi aos poucos acreditando nela e ao mesmo tempo se apaixonando. Latisha esperava o momento certo para pedir que ele o matasse e assim ela ficaria livre dos dois. O que ela não esperava foi que o amor dele fosse envolvendo-a de tal forma a esquecer da morte do marido. O marido sempre carinhoso, andava trabalhando muito na fábrica e em casa tentando escrever mais um livro.

 

O tempo passava e cada vez mais Latisha estava mudada, talvez por ter  ele ter trinta e oitos anos e sua esposa vinte e oito anos, as coisas começavam a tomar outro rumo. Ela já não usava mais o chá apenas evitava-o, estava tão firme com o amante que era descuidada, certa vez Senhor Jones chegou em casa mais cedo do que esperava e viu roupas de homem pendurada na corda, enquanto ela dormia tranquilamente com uma foto na mão. Nunca ficou claro quem estava na foto no entanto foi o suficiente para Senhor Jones ter ficado estranhamente calmo e paciente. Ela estava ficando assustada por que seu silencio dentro de casa deixava-a inseguro ... Ele sabe? Pensava Latisha. Tomada de medo contou tudo ao Nathan e pediu: Mate-o, mate-o ou ele irá me matar. Nathan montou um plano e ela ficou calma.

 

 

Como de costume às oito horas da noite senhor Jones ia para o porão e começava a datilografar pensamentos que lhe viam a cabeça. O som parecia um marca passo contando seus últimos segundo de vida. Quando viu uma sombra fazendo-se em sua frente, virou rapidamente e atirou, surpreendendo Nathan, subiu as escadas correndo mas já era tarde sua esposa estava morta no sofá, o chá na mesa ainda saia fumaça, seu pescoço tinham marcas de estrangulamento. Rapidamente ligou para polícia e em dez minutos estava sendo preso culpado por dois homicídios. Na cadeia rascunhava sobre um amor que nunca teve e a cada dia o delegado lhe trazia mais uma informação que lhe incriminava mais. A última foi decisiva, sua esposa estava grávida e o filho era de Nathan, tudo estava escrito em uma carta encontrada no bolso do vestido da falecida.  Naquela época a tecnologia não existia na Índia , então tudo que eles tinham era uma grande prova contra Senhor Jones.

 

Os dias estavam perdidos e senhor Jones não se ajudava, escreveu mais de cinqüenta folhas sobre o desamor de sua esposa e supostas fantasias de como tinha sido traído todos os dias. O que tornava mais culpado menos pelo fato que ninguém esperava a vizinha. A vizinha era uma jovem que achava a pele branca do Senhor Jones a coisa mais bela que já tinha visto, imaginava filhos com olhos azuis. Senhor Jones nunca deu atenção afinal era uma criança que ele viu crescer. Mas ela o perseguia e guardava coisas que achava em seu lixo. O lixo que ela guardou desde os quinze anos foi mais do que suficiente para provar que ele trabalhava diariamente em um livro que nunca terminou de escrever, algo sobre operário, aventuras era coisa para homem, mas a  jovem não se importava apenas gostava. Senhor Jones foi solto e dito inocente. E finalmente tinha um livro pronto, ele contou sua história de uma forma mais sombria e no final ele morre e Latisha sobrevive e vira um exemplo de mulher contra o machismo. Mais uma vez as mulheres caem aos seus pés apaixonadas, por um homem heróico e tão apaixonado. Dessa vez deixa a Índia , retorna a Inglaterra escrevendo mais um belo romance, A vizinha.

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Escrito por: RMOL

Formação: Bacharel em Direito e letranda em Inglês.

Cursos:Libras, Informática básica (MSDOS, Windows 3.0, Windows 95) e Inglês.

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